A 3G chegou para ficar. Sem dúvida, os desenvolvimentos das redes por parte de todas as operadoras da região confirmam essa premissa. Essa massificação se reflete, agora, nos computadores portáteis, notebooks, netbooks e terminais similares. Em breve, os equipamentos que não possuem conectividade 3G embarcada serão tão impensáveis quanto um que não tenha, digamos, Wi-Fi. Os usuários já demandam portáteis que lhes permitam conexão à Internet por meio da 3G diretamente, sem ter que recorrer a dispositivos externos.
Prevendo essa necessidade, a Qualcomm desenvolveu o Gobi, uma tecnologia de modem para Internet móvel global. Gobi não apenas suporta UMTS/HSPA, mas é multimodo – opera com várias tecnologias – e multibanda – atua em diversas faixas do espectro –, além de incluir suporte para GPS e aplicações LBS (Location Based Services). O que a Qualcomm busca com isso é prover uma solução universal de conectividade. “Nossa filosofia é unificar as redes por meio do dispositivo”, explica Beau Beck, diretor sênior de Desenvolvimento de Negócios da Qualcomm.
“Uma das principais barreiras quando falamos com os fabricantes de notebook, e até com os distribuidores (varejo) e consumidores, é que eles hesitam em introduzir em seus notebooks uma solução que aponte para uma única tecnologia e apenas um provedor de serviços”, explica Beck. “Com Gobi, decidimos desenhar um produto que permita a conexão a qualquer operadora, com qualquer tecnologia, o que traz uma grande quantidade de benefícios em toda a cadeia de abastecimento”.
Uma solução universal, por assim dizer, evita que os fabricantes e montadores comprem, separadamente, componentes para seus produtos, de acordo com as tecnologias e as bandas espectrais usadas em seus distintos mercados. Da mesma forma, evita que os distribuidores e varejistas tenham de lidar com estoques de vários modelos com diferentes tecnologias. Pelo lado do usuário, deixam de existir preocupações sobre tecnologias, frequências e outros pontos técnicos que não são de seu interesse. Ele terá apenas de inserir um SIM card e conectar-se, onde quer que esteja.
Uma solução única também diminui os custos e elimina grande parte do trabalho de certificação com as operadoras, e de aprovações de caráter regulatório em cada mercado. Isso também beneficia as operadoras porque simplifica os testes e é garantido o mesmo nível de qualidade para todos os produtos fornecidos com Gobi.
Para Beck, os dispositivos externos são um bom ponto de partida, porém a evolução natural é a de os módulos serem incorporados. “Por um lado, se obtém melhor desempenho com um módulo incorporado de fábrica, pois ele é otimizado para funcionar adequadamente com as demais parte do hardware e do software, e ainda obter um uso mais eficiente de energia. Em segundo lugar, é muito alto o percentual de quebra e bloqueios dos modems USBs com o passar do tempo. Temos um estudo de mercado com diretores de TI que mostra que menos de 45% dos dispositivos externos duram mais de dois anos. Além do mais, muitos preferem que o modem esteja sob a garantia do mesmo fabricante do computador, e, dessa forma, não precisem buscar ajuda em mais de um provedor caso haja algum problema”.
As empresas de computadores parceiras da Qualcomm lançaram os primeiros produtos que trazem a série Gobi 1000 incorporada, e entre setembro e outubro deste ano lançarão produtos com a séria Gobi 2000, que oferecerão maior rendimento e permitirão custos mais baixos. E está em marcha o desenvolvimento da série 3000 e, em seguida, da 4000, dando continuidade às melhorias com mais otimização e integração.
Atualmente, Qualcomm trabalha com nove novos fornecedores e lançou cerca de 50 modelos Gobi. “Na América Latina, nossos parceiros mais ativos são a HP, Acer e Sony”, indica Beck.
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