Setor de telecomunicações vê América Latina como sociedade conectada

O primeiro dia da 13ª edição do congresso e feira Futurecom, em São Paulo, reuniu os principais representantes da indústria e governos latino-americanos. Todos mostraram um inegável tom de otimismo com a transformação da região em uma “sociedade conectada”, na qual a expansão da oferta de internet banda larga joga um papel crucial.

“Há uma grande relação entre a tecnologia e a redução da pobreza. E isso é uma responsabilidade do governo”, afirmou o ministro de Tecnologias da Informação e das Comunicações da Colômbia, Diego Molano Vega, em seu keynote speech na manhã desta segunda-feira (12). Ele citou um estudo do Banco Mundial que aponta que para cada 10% no aumento da oferta de banda larga, o PIB cresce 1,4% e o desemprego cai 2%.

Por sua vez, o ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo encerrou a cerimônia nobre de abertura do Futurecom à noite citando a assinatura da presidente Dilma Rousseff da Lei do Audiovisual, que permite às operadoras de telefonia ingressar no setor de TV por assinatura. “A lei remove barreiras e um grande impulso virá nas próximas semanas com a entrada de um novo regime de tributação para o Plano Nacional de Banda Larga”, disse Bernardo.

Os representantes da indústria – fabricantes e operadoras – compartilham do entusiasmo dos ministros no painel “Sociedade Conectada, Conexões que Transformam”. Porém, eles foram incisivos ao pedir que o governo brasileiro remova outras barreiras que a indústria considera necessário eliminar. “Baixar o imposto [sobre os serviços de telecomunicações] tem que ser a meta número um do setor”, sintetizou Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez Telecomunicações.

O presidente da Telefônica no Brasil, Antonio Carlos Valente, apontou um caminho que as operadoras devem seguir para aumentar a oferta de serviços banda larga. “Alguns itens da infraestrutura devem ser compartilhados mais intensamente”, disse Valente. Pouco tempo antes, em seu keynote speech, Valente lembrou que a receita da indústria de telecomunicações do Brasil já é a quarto maior do mundo, com 101 bilhões de reais em 2010. “E há um ano e meio atrás não existiam aparelhos como os tablets. Hoje, somando os smartphones, já são cerca de 100 aparelhos móveis acessando a internet.”

Na Colômbia, quem acessa a internet atualmente é na maioria a população rica, disse o ministro Molano. “Apenas 8% dos colombianos que ganham entre 300 e 600 dólares por mês usam a internet, e eles representam 39% da população,” citou o ministro. Para mudar a situação, o governo local criou o programa “Vive Digital Colômbia” para promover a massificação da internet.

O programa prevê a promoção de parcerias público-privadas para expandir a infraestrutura de serviços de rede e encorajar a oferta e a demanda de serviços de tecnologia e comunicações até atingir uma massa crítica de usuários. O Vive Digital Colombia inclui a redução de impostos e barreiras regulatórias para a expansão da infraestrutura e a aplicação de verbas governamentais em projetos autosustentados. “O governo tem que dar o exemplo”, disse Molano.

As metas do Vive Digital Colombia são ambiciosas: até 2014 serão quadruplicadas as conexões banda larga, atualmente de 2,2 milhões (1,4 milhão fixas e 800 mil móveis), aumentar de 27% para 50% o número de residências conectadas e de 7% para 50% o número de microempresas com internet.

Porém, para essa sociedade conectada acontecer são necessários investimentos contínuos também dos players do setor. “O nível atual de investimento [em infraestrutura de telecomunicações] é insuficiente e incompatível com o crescimento da indústria e com o momento de transformação da sociedade”, disse o ministro Bernardo.

A indústria responde com promessas ambiciosas de investimentos, como a Claro, operadora de telefonia celular da América Móvil. Segundo seu CEO, Carlos Zenteno, até 2012 a operadora investirá 10 bilhões de reais para ampliar sua rede no Brasil. Centeno defendeu que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em contrapartida, libere espectro adicional para as faixas que usarão a tecnologia LTE.

O presidente da Alcatel-Lucent no Brasil, Jonio Foigel, defendeu o aumento da parceria entre governo e operadoras para aumentar a rede de fibras ópticas no Brasil como único modo de progredir no setor. “Para isso precisamos acelerar a disponibilização de frequências para não cometer o erro do 3G, cuja chegada ao Brasil foi retardada por três anos”, disse Foigel.

Amos Genish, CEO da GVT, que investirá 650 milhões de reais nos próximos cinco anos no Brasil, disse que é preciso haver mais operadoras concorrendo, e para isso “precisamos de mais infraestrutura, e aqui o governo poderia investir mais”. Em seu keynote speech, Genish disse que o Brasil já está chegando a uma situação de ser uma sociedade conectada. “Sem incentivo nunca haverá competição de verdade. A Anatel tem a oportunidade de mudar esse paradigma e tem que fazer isso agora”.

Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, disse em sua apresentação que pretende estimular o aumento da concorrência apoiando a autorregulamentação do setor. “A proposta do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) preserva os investimentos e a inovação em mercados competitivos”, disse Sardenberg.

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